Não sei você, mas em minha vida os
acontecimentos mais significativos não necessitam de tesouros, viagens, grandes
empregos, notáveis posições; meus momentos mais preciosos estão em detalhes, em
acontecimentos que dependem mais de Deus do que dos homens.
Hoje, por exemplo, ganhei um dia de
felicidade, daqueles que andamos com o sorriso nos lábios e a gratidão no
coração por Deus ter nos dado uma natureza tão perfeita, tão linda e tão
diversificada; mas mais ainda, por momentos únicos, pessoais e em perfeita
harmonia com o amor de Deus, ou seja, em total ausência de sentimentos humanos.
Foi simples assim: saí de casa para o
parque com dois objetivos que seriam me exercitar e levar comida para patos,
gansos, peixes, aves, tartarugas. Estava jogando comida para
todos eles, quando, de repente, ouço um barulho nos galhos das arvores acima de
minha cabeça e o que vejo? Dois micos me encarando.
Não me contive, olhei para
eles e iniciei um diálogo para me aproximar mais - oito anos que caminho neste
parque e estes micos nunca chegaram tão perto assim – e então estendi a mão
para lhes dar o alimento e para grande e maravilhosa surpresa, eles foram
chegando de mansinho e desconfiados, até que aguardei um pouco mais e por
várias vezes, seguravam minha mão com as suas e pegavam o alimento com suas
boquinhas, na maior e maravilhosa delicadeza inexplicável.
Estes momentos são os que me
recarregam de Deus e me fazem tão feliz que não tenho como explicar, viro a
própria felicidade. Por isto digo que para ter minha felicidade não dependo do
ser humano.
Entenderam? Estes momentos
me são esperanças vivas de que o universo tem um dono e este dono pode nos
deixar participar de Seu Grande Amor, em total harmonia e sintonia. Nestes
momentos, que só Ele pode permitir, sinto-me menos humana, menos defeitos, mais
parecida com o Criador.
Todos os dias o mesmo
caminho, mas desta vez em horário diferente. Saía para trabalhar quatro e
cinquenta, e no mesmo lugar pela segunda vez, tentaram me assaltar. Na primeira
vez quando o ladrão se preparava para me atacar, ao descer da bicicleta, levou
o maior tombo e foi o tempo de ouvir: ande mais rápido e vigie. Naquele local
sempre passava orando. Já em outro dia, em menos de um mês, estava tranquila,
mas orando, quando do nada o acelerar bem forte de uma moto para ao meu lado e
só o desnível da calçada me separou do motoqueiro. Fiquei quieta e com uma
coragem que só Deus poderia me dar naquela hora, olhei firmemente para o piloto
– cara a cara – e ele levantou a viseira do capacete a me olhou. Não sei o que
ele viu, mas mal balbuciou um bom dia – que respondi com toda autoridade que
Deus me capacitou naquela hora – Bom dia - e o rapaz acelerando fortemente sua
moto, parecia fugir com
muito temor, como se
tivesse visto o que não vi, e com certeza, era o anjo poderoso que sempre
protege quem teme e vive com Deus. Posso até dizer minha frase: Havia um tempo
que os homens me assustavam; hoje quem comigo anda assusta os homens.
Saí correndo chamando,
procurando ajuda de alguém, quando vi dois socorristas que já estavam levando
um aparelho – DEAs - para salvar o homem. Fui até eles e quando olhei; o homem
já estava todo roxo e duro feito uma pedra. Não sei motivos, talvez do susto,
falei firme: parem com isto, este homem já está morto. Todos olharam
assustados, mas não pararam com o socorro, e a vítima parecia voltar das
profundezas de algum lugar desconhecido, com um grito lancinante e tão forte
que parecia um animal e não um homem. Ele voltou ao nosso mundo com um forte e
longo gemido. E ouvi uma voz mansa cheia de autoridade bem dentro de mim:
"Filha, quem diz
quem morre, ou quem vive,
é somente Eu: O Seu Criador". Corri para o telefone e chamei as
ambulâncias do Bombeiro e Samu que complementaram o socorro.
Naquele dia, em que aquele
senhor foi levantado e jogado ao chão, por algum ser invisível, eu olhava o
portão. Não sei se um ataque quase fulminante acontece assim. Só sei que o mais
importante eu aprendi: que somente Deus pode dar a última palavra, pois o homem
voltou dias depois, sem qualquer sequela, para nos agradecer.