1 de abril de 2026

CRÔNICAS & FÉ

 


Não sei você, mas em minha vida os acontecimentos mais significativos não necessitam de tesouros, viagens, grandes empregos, notáveis posições; meus momentos mais preciosos estão em detalhes, em acontecimentos que dependem mais de Deus do que dos homens.

Hoje, por exemplo, ganhei um dia de felicidade, daqueles que andamos com o sorriso nos lábios e a gratidão no coração por Deus ter nos dado uma natureza tão perfeita, tão linda e tão diversificada; mas mais ainda, por momentos únicos, pessoais e em perfeita harmonia com o amor de Deus, ou seja, em total ausência de sentimentos humanos.

Foi simples assim: saí de casa para o parque com dois objetivos que seriam me exercitar e levar comida para patos, gansos, peixes, aves, tartarugas. Estava jogando comida para todos eles, quando, de repente, ouço um barulho nos galhos das arvores acima de minha cabeça e o que vejo? Dois micos me encarando.

Não me contive, olhei para eles e iniciei um diálogo para me aproximar mais - oito anos que caminho neste parque e estes micos nunca chegaram tão perto assim – e então estendi a mão para lhes dar o alimento e para grande e maravilhosa surpresa, eles foram chegando de mansinho e desconfiados, até que aguardei um pouco mais e por várias vezes, seguravam minha mão com as suas e pegavam o alimento com suas boquinhas, na maior e maravilhosa delicadeza inexplicável.

Estes momentos são os que me recarregam de Deus e me fazem tão feliz que não tenho como explicar, viro a própria felicidade. Por isto digo que para ter minha felicidade não dependo do ser humano.

Entenderam? Estes momentos me são esperanças vivas de que o universo tem um dono e este dono pode nos deixar participar de Seu Grande Amor, em total harmonia e sintonia. Nestes momentos, que só Ele pode permitir, sinto-me menos humana, menos defeitos, mais parecida com o Criador.




Todos os dias o mesmo caminho, mas desta vez em horário diferente. Saía para trabalhar quatro e cinquenta, e no mesmo lugar pela segunda vez, tentaram me assaltar. Na primeira vez quando o ladrão se preparava para me atacar, ao descer da bicicleta, levou o maior tombo e foi o tempo de ouvir: ande mais rápido e vigie. Naquele local sempre passava orando. Já em outro dia, em menos de um mês, estava tranquila, mas orando, quando do nada o acelerar bem forte de uma moto para ao meu lado e só o desnível da calçada me separou do motoqueiro. Fiquei quieta e com uma coragem que só Deus poderia me dar naquela hora, olhei firmemente para o piloto – cara a cara – e ele levantou a viseira do capacete a me olhou. Não sei o que ele viu, mas mal balbuciou um bom dia – que respondi com toda autoridade que Deus me capacitou naquela hora – Bom dia - e o rapaz acelerando fortemente sua moto, parecia fugir com

muito temor, como se tivesse visto o que não vi, e com certeza, era o anjo poderoso que sempre protege quem teme e vive com Deus. Posso até dizer minha frase: Havia um tempo que os homens me assustavam; hoje quem comigo anda assusta os homens.

O amor de Deus é perfeito; ele sustenta a vida, fideliza o coração, alinha os pensamentos, pinta a alma com cores brilhantes, abriga sorrisos dentro de nós; faz a gente chorar, orar, adorar, sossegar, exaltar e nos mostra o que é amar. O amor de Deus é assim, produz perdão, alimenta nossa vida, molda nossos talentos e cuida da gente sempre.



Quando observava a entrada de pessoas por um portão do Metrô, vi um senhor sendo levantado. Era como se alguém muito forte e invisível o tivesse levantado bem alto e em seguida o arremessado de costas no chão com toda sua força. Este homem não caiu; eu vi. Foi jogado.

Saí correndo chamando, procurando ajuda de alguém, quando vi dois socorristas que já estavam levando um aparelho – DEAs - para salvar o homem. Fui até eles e quando olhei; o homem já estava todo roxo e duro feito uma pedra. Não sei motivos, talvez do susto, falei firme: parem com isto, este homem já está morto. Todos olharam assustados, mas não pararam com o socorro, e a vítima parecia voltar das profundezas de algum lugar desconhecido, com um grito lancinante e tão forte que parecia um animal e não um homem. Ele voltou ao nosso mundo com um forte e longo gemido. E ouvi uma voz mansa cheia de autoridade bem dentro de mim: "Filha, quem diz

quem morre, ou quem vive, é somente Eu: O Seu Criador". Corri para o telefone e chamei as ambulâncias do Bombeiro e Samu que complementaram o socorro.

Naquele dia, em que aquele senhor foi levantado e jogado ao chão, por algum ser invisível, eu olhava o portão. Não sei se um ataque quase fulminante acontece assim. Só sei que o mais importante eu aprendi: que somente Deus pode dar a última palavra, pois o homem voltou dias depois, sem qualquer sequela, para nos agradecer.